terça-feira, 30 de agosto de 2016

Os golpes atuais e os seus motivos capitais


A expansão da China e Brics fez o capitalismo ocidental tradicional reagir diante do avanço do capitalismo periférico do qual o Brasil faz parte com sua produção de commodities. O crescimento chinês se deu à custa da pirataria e exploração da mão de obra de seu povo. A pirataria fez com que o sistema produtivo ocidental transferisse suas indústrias a partir dos anos 1990 para a China. Gigantes da indústria automobilística, da tecnologia e de outros setores viram-se obrigados a instalar filiais no gigante asiático para também acessarem um mercado com mais de um bilhão de consumidores. Além disso, o sistema chinês adota um modelo que concede incentivos maiores para empresas que exportem 70% de sua produção. Quanto mais exporta menores são os impostos, que podem ter uma redução de até 50%, conforme a legislação local.

A situação de alguma forma fez com que o sistema produtivo ocidental transferisse muita tecnologia para a China, gerando assim desiquilíbrios em países europeus e nos EUA. Com preços competitivos e baixos os produtos chineses provocaram uma verdadeira restruturação no mercado global, com aumento no índice de desemprego nos chamados países e crises financeiras como a de 2008. Mas o tradicional capitalismo do ocidente entendeu que chegou a hora de acabar com a “brincadeira” chinesa.  De alguma forma, direta ou indireta, esse modelo potencializou o fortalecimento geopolítico da China, que se tornou um “player”, em concorrência quase que em pé de igualdade com os EUA, sendo hoje a segunda economia do mundo com um PIB de U$ 10 trilhões em 2015. Outro fato a ser entendido é que o Brics, como aliança, gerou potenciais concorrências em segmentos antes dominados por empresas tradicionais, como nos mercados de armas (Rússia), Commodities (Brasil), China (indústria de ponta e tecnologia) e Índia (aeroespacial).

Nesse contexto os gigantes elaboraram novas ações e retomadas. O modelo chinês torna-se uma referência para uma projeção de reconquistas e (re) adoção do receituário neoliberal no chamado quintal latino americano em países pujantes como Argentina, Brasil e México. Para isso é preciso remover os governos alinhados com a nova ordem econômica liderada pela China.


Conforme havia sido denunciado pelo ex-agente, administrador de sistemas, da CIA e da NSA, Edward Snowden, os EUA disponibilizaram seus serviços de inteligência para as megacorporações americanas em realização de espionagem em governos e empresas de vários países do mundo e dos Brics, sendo o Brasil o mais visado nessa operação.

Essas informações foram primordiais para a organização de uma estratégia de reconfiguração na América do Sul, e assim criar uma linha de ações para apoio a partidos e movimentos neoliberais com a fomentação de protestos, eleições de candidatos neoliberais e desestabilização de governos. Assim, aconteceu no Brasil, com os protestos de 2013, nas eleições presidenciais de 2014 e nas grandes manifestações de 2015 contra a então recém presidente eleita Dilma Rousseff. Na Argentina pela primeira vez a direita local elegia através do voto popular um presidente, Mauricio Macri, declaradamente neoliberal. Já na Venezuela uma ação clara de lockout do empresariado local misturada com uma dose de incompetência governamental criou uma crise econômica que insiste em perdurar.

O objetivo claro dessas ações é derrubar governos comprometidos com o chamado Estado Social, próximos dos Brics, e promover uma reforma  neoliberal em que os direitos sociais sejam totalmente expurgados, da mesma  forma que são na China, privatizando empresas que operam recursos estratégicos  como o petróleo e água. Isto está bem claro agora no Brasil com o “golpe branco” contra Dilma, e a ascensão de Michel Temer à presidência. Temer que, aliás, anunciou um programa totalmente comprometido com essas mudanças, o chamado ‘Ponte para o Futuro’.

Assim, o capitalismo internacional espera aplicar na América Latina o modelo chinês, criando condições de exploração quase que colonial de países para a operação de um sistema que não releva direitos sociais e despolitiza cada vez mais seus cidadãos. Por mais paradoxal que possa ser o ocidente aplica o modelo chinês que estruturou um estado ditatorial com um sistema econômico da Revolução Industrial do Século XIX, em que imperava a exploração desigual do capital sobre o trabalho. Aqui no Brasil, como podemos notar, assistimos o crescimento de uma ideologia conservadora e reacionária, que despreza qualquer modo de organização sindical e o Estado Social, deixando tudo a mercê do “Deus” mercado.



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