quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Eleição municipal do Rio: a família Marinho não escolhe candidato, escolhe inimigo


A reta final do segundo turno da eleição municipal no Rio de Janeiro chega ao final com num embate encarniçado entre o senador Marcello Crivella (PRB) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). A disputa se encerra entre acusações, denúncias e manipulações midiáticas. De alguma forma os dois representaram a negação do eleitorado ao legado do PMDB, e, sobretudo, da administração do arrogante Eduardo Paes.

Ambos candidatos não contam com a simpatia da oligarquia carioca encabeçada pela família Marinho, através das organizações Globo. Crivella por ter claras ligações com a emergente política neopentecostal e seu mentor, Edir Macedo, chefão do Grupo de Rádio e Televisão Record. E por motivos óbvios, apesar do ódio construído pelo baronato da mídia, que culminou o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, e a quase defenestração do PT do cenário político, como vimos no primeiro turno destas eleições em todo o Brasil, temos Marcelo Freixo, o candidato que revigora a esquerda no Estado, e porque não dizer, no Brasil, com a proposta de um socialismo participativo e democrático do PSOL.

Com o atual momento, político nacional, a esquerda brasileira junta seus cacos e tem a partir do Rio de Janeiro a oportunidade de recomeçar um novo caminho. A sua fragmentação, uma característica, precisa se tornar uma energia única, pois se faz necessária à criação de uma frente que una partidos e tendências para o enfrentamento ao atual momento do avanço neoliberal e conservador em nossa sociedade.


Mas voltando ao embate entre Crivella e Freixo percebo que existe uma nítida sensação de que os oligarcas globais expressam sua contrariedade de forma explicita ao projeto do bispo da Universal, e por isso despejam seu arsenal de maldades contra o senador. Para os antipáticos ao projeto de esquerda fica a impressão de que a Globo apoia o candidato do PSOL. É percebível que a família Marinho não age de forma belicista com Freixo, como o faz com o candidato do PRB.

A fábula do sapo e o escorpião

Mas não se enganem com as organizações Globo. Na verdade, o que está em jogo é a disputa entre dois concorrentes e projetos políticos considerados antagônicos para a empresa.
Marcello Crivella, o sobrinho do bispo Macedo, representa uma empresa concorrente (TV Record), e veste a manta de um “coronelato urbano”. Crivella já tem uma base parlamentar numa Câmara Municipal composta majoritariamente por representantes evangélicos e milicianos, eleitos pelo que podemos chamar de verdadeiros “currais eleitorais”. E isso, numa eventual vitória, vai dar-lhe a garantia de estabilidade administrativa e parlamentar.

Já num hipotético governo de Marcelo Freixo, a situação se complica por conta da sua pequena base de vereadores. O PSOL só elegeu seis, apesar de expressiva votação de seus candidatos como o Prof. Tarcisio Motta e de Marielle Franco, que juntos fizeram quase 150 mil votos. Certamente Freixo como prefeito terá uma oposição raivosa, dado ao perfil dos vereadores eleitos pelo PMDB, PSDB, PSD e outros partidos de aluguel que abrigam vereadores eleitos pelo poder neopetencostal e são favoráveis ao desmonte do Estado brasileiro.

O fato é que caso seja eleito, Marcelo Freixo vai “cortar um dobrado” para governar e aguentar os milicianos de mandato, pastores reacionários e os oligarcas globais.
Que tenha habilidade política e liderança para superar às intempéries do poder.
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